domingo, 6 de junho de 2010
Pescoço e o machado
dores nas costas e no pescoço. um rocambole de cobertas enroladas preenchidas de uma pessoa oca e sem sono. depois de vinte tremedeiras seguidas, a acomodação. incomodado com a lista de pedras a serem explodidas com dinamite acionada pelos botões, sensíveis ao toque da digital. perdido mais esta vez numa flutuante virtualidade derivada da escuridão.
os olhos, fechados ou abertos não importam. tudo é tão silencioso, frio e anacrônico. alguns gritos mais uma vez expelidos de bocas uivantes na madrugada. são certamente mais de três da manhã. não ao certo talvez, mas é a hora exata dos início dos berros, dos rasgantes sons emitidos por bocas desesperadas. em pânico, tristemente pedem por favor que as tirem deste mar emareado de envolvimento, perdido com mastros, mas sem velas. tantos outros no andar superior expandem sem medo de desligar a luz apertando o interruptor. as imagens idas na fumaça que vai e vem da janela.
os riscos de luz vindos do reflexo do vapor não assustam como já fizeram a tanto tempo. deixaram o cargo de vilões e são caríssimos amigos agora. conduzem a uma calma sem perder de vista a pena que lhe vai fazer ter as maldita dores nas costas.
Indo em busca de alimento, em busca de algo simples e rápido para se comer vem a nociva notícia. a história que realmente causará o abalo do dia. a estrondosa situação marcante dentre tantas outras sangrentas que rolaram ao seu redor, na região metropolitana de seus sentidos, tangentes e alheias que lhe passaram com naturalidade e com pouca definição.
Todo homem tem que sofrer os malditos reflexos de suas ações imperfeitas. ele sabe que vai perder um dia a razão que deu a seus sentidos, a sua autonomia mentirosa. ele paga cada centavo, sem arregos terrenos como desconto automático em conta nem o limite do banco. estas possibilidades estão todas amarelas, pintadas em sépia. um jovem, um jogador, um ladrão honrado, todos sabiam, mas ninguém falava, esperando a hora de dizer sorrindo. um único tiro. uma única assinatura. entre o machado e o pescoço muitas coisas podem acontecer.
sexta-feira, 4 de junho de 2010
Horror

1.
os dois se encontraram no lado de cá da ponte. no horário marcado. tudo estava pronto para a viagem. mercadoria camuflada, tanque cheio e apenas duas armas. uma para cada um, o muambeiro podia ficar sem. ambos suspeitavam da dificuldade que ele tinha de se localizar, não poderia ser diferente com uma arma na mão. subiram no ônibus imaginando que podiam morrer ou pior, serem pegos. levaram consigo 30 munições. mal sabiam que iriam precisar de mais. as coisas não seriam como uma brincadeira de correr e atirar para trás. sem saber, alimentaram a opção de que daria certo, de que chegariam, de que o dinheiro receberiam. tudo ilusão, como putas ou restaurantes de fast food na beira da estrada.
* * *
2.
Eu sou pobre
Minha família é pobre
O mundo é pobre e mesquinho
Todos são ladrões
Vivem da escuridão
Com a angústia alheia se alimentam
Eu sou pobre
Decretem a linha de tiro
Projétil com sangue
Eu sou pobre
Atirem!
* * *
3.
Desta vez o deslocamento chegou ao extremo, mas pela primeira delas consegui ver no escuro, mesmo que isso custasse a moral, a credibilidade e todo o resto que achava que tinha. medo em todas as ações. apenas a pequena vontade de sair gritando como um maníaco que precisa urgentemente de uma camisa de força e de sedativos. mesmo assim conseguir não parar de pensar. Alguns gritos realmente aconteceram, mas eram bem mais modestos e contidos que nem fizeram efeito na turba de acusadores que povoam a sua casa e principalmente sua cabeça, suas conexões mentais. estes ladrões de energia. assaltam o que tinha de mais interessante. não admita que não deixem pensar no que quiser, na atrocidade, na cena mais podre que possa criar dentro da sua cabecinha fedorenta. tomado de surpresa cedeu as investidas criminosas destes que só queriam roubar seus pequenos segredinhos cabeludos para usá-los contra depois, num dia em que tivesse desatento. Comeu uma, duas, três vezes, mas o resultado era sempre o mesmo, perseguição mortífera.
* * *
postagem nº 100
quinta-feira, 3 de junho de 2010
Eco digressões

Olá, boa noite
No programa de hoje falaremos sobre atitudes e soluções sustentáveis que vão mudar seu cotidiano, como por exemplo, melhorar seu ambiente domiciliar e profissional. Para falar disso temos hoje em nossos estúdios a presença do escritor e jornalista Sasá Godoy, que lançou recentemente o livro ‘Soluções sustentáveis para a vida cotidiana’.
- Sasá, quais as atitudes e soluções sustentáveis que podemos adotar no nosso cotidiano?
- Teria uma lista enorme de ações, mas definitivamente comer bacon não faz parte dela.
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